A Câmara Legislativa realizou, na
manhã desta quarta-feira (17), audiência pública para debater o Projeto de Lei
nº 2312/2021, de autoria do Poder Executivo e dispõe sobre o Serviço Público de
Loteria no Distrito Federal. A reunião foi feita presencialmente no Plenário da
Casa e foi a primeira audiência pública desde o início da pandemia.
A proposição prevê que o Poder
Executivo, por meio da Secretaria de Estado de Economia, ofereça o serviço de
forma direta ou indireta, nos termos da Lei Federal nº 8.987/1995. O texto
considera jogo lotérico toda operação, jogo ou aposta, que envolvam sorteio,
concurso de prognósticos numéricos, concurso de prognósticos específicos,
concurso de prognósticos esportivos e loteria instantânea exclusiva (Lotex),
registro de aposta ou premiação instantânea, realizado por meio físico ou
virtual, para obtenção de prêmio em dinheiro ou em bens de outra natureza.
Ao iniciar a reunião, o deputado
Roosevelt Vilela (PSB) explicou sobre a tramitação do projeto na Casa e afirmou
que acredita na contribuição que o proposta trará para a economia do DF. “O
reforço no orçamento do Distrito Federal é notório, mas é necessário
discutirmos o tema sob outras perspectivas”, afirmou. Para o distrital, a
diversidade de opiniões é primordial para fundamentar o voto dos demais
parlamentares.
O secretário de Projetos
Especiais do Distrito Federal, Roberto Vanderlei de Andrade, enfatizou sobre as
etapas que ocorrem durante o projeto de criação das loterias no DF. “Todo
procedimento do Processo de Manifestação de Interesse (PMI), que vai se
transformar em Parceria Público-Privada, tem um rito. O rito inicial é o
chamamento, depois vem a fase de estudos, que tem um prazo relativamente
considerável e, por fim, a etapa de audiência pública, que foi o que fizemos
recentemente”, explicou.
Já o coordenador da ONG Brasil
Sem Azar, Paulo Fernando, ressaltou sobre os distúrbios de pessoas em relação
aos jogos.
“Ninguém se vicia em Loteria
Federal. Já nas loterias instantâneas, as pessoas são compulsivas e, por
impulso, elas querem recuperar o prejuízo”, declarou Paulo Fernando.
Ele também mencionou outros
problemas que os jogos lotéricos podem causar para o poder público, citando a
CPI dos Bingos, caso que tomou grandes proporções em 2004.
Para o presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-DF), Henrique Lenz Cesar Filho, uma pessoa
que se vicia em jogos não vai deixar de jogar ou vai passar a adquirir novos
jogos em função de um ato normativo, em vez disso, esse alguém vai permanecer
em sua prática. O presidente explicou que a proposição propõe “alternativas
para incremento do orçamento do DF, que precisa, sim, pois muitos setores foram
afetados em função da pandemia e se faz urgente a implementação de novos
mecanismos”, afirmou.
O psicólogo Mário Filho destacou
acerca do Transtorno do Jogo (6C51), que “é caracterizado persistente e
recorrente comportamento de jogar online ou off-line”, definiu. De acordo com
Mário, esses padrões podem ser contínuos ou episódios recorrentes e “resultam
em comprometimento social, familiar, educacional e ocupacional”, completou.
Resultados
Ao final da audiência, Roosevelt
disse que pretende apresentar emendas ao projeto com base no posicionamento dos
participantes. Uma sugestão à proposta, levantada pelo coordenador da ONG
Brasil Sem Azar, Paulo Fernando Melo, por exemplo, define que pessoas interditadas
judicialmente e jogadores compulsivos fiquem proibidos de jogar. Outro ponto
levantado durante a audiência foi que, caso o projeto venha a ser aprovado, uma
das formas que a atividade poderia ser exercida seria por meio do Estado, e não
por empresas terceirizadas.
Warley Júnior (estagiário) -
Agência CLDF
Nenhum comentário:
Postar um comentário