A dor de
cabeça é uma das principais queixas nos consultórios oftalmológicos, mas há
casos em que o médico a ser procurado é um neurologista.
Alterações
na visão seguidas de forte dor de cabeça, enjoo, mal-estar, intolerância a som
alto e sonolência são sintomas de uma doença que atinge cerca de 1% da
população mundial: a enxaqueca oftálmica ou enxaqueca retineana, também
conhecida como aura visual, que se distingue das enxaquecas clássicas por
afetar a visão e outros sentidos.
O
oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares
(IMO), explica: “Embora chamada de enxaqueca oftálmica, a doença tem origem
neurológica. Trata-se de um distúrbio rápido, intermitente e reversível de
circulação cerebral, que precede o aparecimento das crises de dor de cabeça”.
São vários
os gatilhos para as crises, segundo Virgilio. Período menstrual; jejum
prolongado; o uso de anticoncepcionais; alterações no sono; estresse; o consumo
de frituras, café, chocolate e de álcool; problemas na coluna cervical e
distúrbios da ATM (Articulação Temporo Mandibular).
Como o
problema afeta primeiro a visão, os pacientes recorrem aos oftalmologistas para
diagnóstico. “Após exames, quando descartamos as possibilidades de problemas no
globo ocular, encaminhamos estes pacientes ao neurologista”, conta o diretor do
IMO.
Sintomas
É por esta
razão que o diagnóstico da enxaqueca oftálmica é tão comumente feito pelo
oftalmologista.
“Como o
paciente costuma informar a percepção de luzes (em formato de zig-zag), a perda
de metade do campo visual (recuperada com o passar da crise), forte dor de
cabeça (mais de um lado só, chamada de “hemicrania”), estado nauseoso e
fotofobia, tudo ao mesmo tempo, ele teme perder a visão, o que pode ocorrer
temporariamente, com algumas pessoas”, explica.
A dor da
enxaqueca oftálmica pode ainda se
manifestar em um ou ambos os olhos. Tanto nos olhos, quanto acima, abaixo e em
torno deles. Essa dor pode ser latejante e/ou em peso ou pressão, e sua
intensidade pode variar de muito leve a muito forte.
Numa parcela
bem pequena dos portadores de enxaqueca, a pálpebra superior de um dos olhos
(do mesmo lado da dor) pode cair parcialmente.
“Esse
fenômeno recebe o nome de ptose palpebral e ocorre durante a crise de dor.
Terminada a crise, a pálpebra volta ao normal. Esta forma de enxaqueca é
denominada enxaqueca oftalmoplégica”, conta o oftalmologista.
Tratamento
Com o passar
do tempo, os sintomas visuais que precedem a crise de enxaqueca servem de
alerta para o paciente recorrer ao diagnóstico adequado e não apenas ao uso de
medicação para aliviar a dor.
“Por isto é
tão importante a continuidade do tratamento. A cefaléia é uma doença tão complexa
que é objeto de estudo integrado de vários especialistas: neurologistas,
oftalmologistas, psicólogos, clínicos… Já existem até clínicas e hospitais
dedicados exclusivamente à dor de
cabeça”, destaca Virgilio Centurion.
E se a dor
de cabeça for causada por problemas de visão?
“A dor de
cabeça provocada por problemas refracionais visuais tais como hipermetropia,
miopia e astigmatismo, geralmente tem início após um período de esforço visual.
O paciente acorda bem, mas durante o dia, ou ao final do período de aulas ou
trabalho, começam as dores de cabeça. Este tipo de queixa é chamada de
astenopia.”
Normalmente,
tal problema costuma desaparecer, após a prescrição e o uso dos óculos ou
lentes de contato, informa o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também
integra o corpo clínico do IMO.
Outras
patologias oftalmológicas também podem provocar cefaleia, como estrabismos,
insuficiências de convergência, uveítes e glaucoma agudo, informa Eduardo.