quarta-feira, 12 de junho de 2019

Audiência apoia mobilização social em defesa da educação pública




Mediada pelos deputados Chico Vigilante (PT), Arlete Sampaio (PT) e Fábio Felix (PSOL), a audiência pública em defesa da educação reuniu, no auditório da CLDF, na manhã desta quarta-feira (12), estudantes, professores, servidores e representantes de entidades educacionais. A reitora da Universidade de Brasília (UnB), Marcia Abrahão, anunciou a suspensão do bloqueio de R$ 48,5 milhões destinados às despesas de custeio e investimento da universidade.

O desbloqueio aconteceu hoje pela manhã em decorrência da aprovação de crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões ontem (11) pelo Congresso Nacional. As negociações entre o governo federal e os congressistas asseguraram às universidades e aos institutos federais a liberação de R$ 1 bilhão, além de R$ 330 milhões para bolsas de pesquisa científica. O fato ocorreu, na avaliação da reitora, em função da mobilização da sociedade em defesa da educação pública, especialmente das manifestações nos dias 15 e 30 de maio.

Abrahão fez uma ampla defesa da Universidade de Brasília, única universidade federal do Centro-Oeste, que abarca 55 mil estudantes em 138 cursos de graduação, 96 de pós-graduação, além de hospitais e editora, os quais desenvolvem pesquisas e projetos com reconhecimento internacional. Segundo ela, é necessário "cuidarmos da UnB", ao citar o tema da campanha em defesa da instituição: "UnB, sua linda, meu orgulho é você".

Arbítrio – Ao argumentar que a educação não é mercadoria, a deputada Arlete Sampaio se opôs "às atitudes nefastas" do atual governo em relação à educação. "É preciso uma reação de todos nós", declarou. Para o deputado Fábio Felix, a educação tem sido um espaço recorrente de ataques, tanto no viés financeiro quanto ideológico. Opinião similar manifestou a deputada federal Érika Kokay (PT), ao considerar que "o corte na educação é ideológico". Ela argumentou que "ciência, arte e cultura não convivem com o arbítrio" e que a intenção do atual governo é "silenciar as vozes".

De acordo com a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro), Rosilene Lima, "o Brasil começa a compreender o que significa a educação pública". Todo esse movimento social acabará por reconstruir o sentido público da educação, na avaliação de Wilson Conciani, representante do Instituto Federal de Brasília (IFB).

Greve geral – Vários participantes do debate conclamaram a população para aderir à greve geral nesta sexta-feira (14), como a estudante do Ensino Médio, Bruna Berlaz. "O presidente e o MEC se preparem porque sexta-feira tem mais", declarou a menina de 15 anos, que participou das manifestações dos dias 15 e 30 de maio. Mesma posição adotou a representante da Federação Nacional dos Estudantes do Campo, Nathalia Lima: "Não existe país no mundo que se desenvolve sem investimento em educação". Ela acrescentou que "as reformas precisam ser discutidas com a população e não empurradas goela abaixo".

Também manifestaram apoio à greve geral desta sexta-feira (14) o presidente da Associação dos Servidores do CNPQ, Roberto Muniz; o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Gabriel Cruz, entre outros.

Franci Moraes

Fotos: Silvio Abdon/CLDF

Núcleo de Jornalismo – Câmara Legislativa do Distrito Federal

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