De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), o Brasil tem, atualmente, mais de 20 milhões de pessoas com
mais de 60 anos. A expectativa do órgão é que, até 2055, o número de idosos
supere a quantidade de brasileiros com até 29 anos. Para a psiquiatra Helena
Moura, que atua também em psicogeriatria, o Brasil ainda não sabe lidar com os
mais velhos.
“A França demorou 115 anos para chegar à quantidade de
idosos que o Brasil chegou em duas décadas. Não estamos preparados para lidar
com o envelhecimento. Existem filas de idosos, mas os atendentes não sabem como
tratá-los. Muitas vezes, pessoas na terceira idade não escutam direito e são
mais lentas para absorver informações. Esses ambientes fazem com que elas se
sintam deslocadas, como se estivessem atrapalhando. É preciso entender que isso
não é doença, é só a vida acontecendo.”, explica a médica.
Segundo a especialista, a questão de muitos idosos não se
sentirem úteis, de não acharem seus papéis na sociedade, tem um forte impacto
na vida deles, podendo levá-los à depressão. “O fato de eles pensarem que são
um fardo para suas famílias, a dificuldade em superar o luto pelo falecimento
do cônjuge e de amigos queridos, assim como as limitações físicas impostas por
doenças ou pelo próprio envelhecimento normal contribuem para o quadro de
depressão”, ressalta.
Além disso, sintomas de depressão são diferentes em cada
faixa etária. Jovens neste estado ficam chorosos e tristes. Nos mais velhos, a
emoção é mais forte no corpo. “Em idosos, queixas de dores no corpo e
mal-estar, por exemplo, podem ser também sintomas depressivos. Os idosos ficam,
ainda, mais nervosos e irritados, o que acaba afastando as pessoas. Por isso,
temos que ter paciência com eles sempre”, esclarece Dra. Helena.
A psiquiatra lembra, ainda, que o combate à depressão na
população idosa não é fácil. O tratamento farmacológico, por exemplo, deve
levar em conta que idosos em geral já usam outras medicações, então é preciso
ter cuidado redobrado com as interações medicamentosas. “Também é importante
estar atento ao perfil de efeitos colaterais de cada medicamento, pois alguns
remédios aumentam o risco de quedas. Os benzodiazepínicos – calmantes tarja
preta, como Rivotril e Frontal – pioram a memória e podem levar a quadros de
confusão mental. Os medicamentos para doenças cardiovasculares e os
analgésicos, também podem favorecer a depressão.”, finaliza Dra. Helena.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília